Santos: a cidade natal da tatuagem no Brasil

Com a chegada do lendário Lucky Tatto ao Porto de Santos em 1959 começava a história da tatuagem no País tendo a cidade como cenário


Knud Harald Lykke Gregersen, conhecido entre nós brasileiros como Tattoo Lucky, era filho do renomado tatuador dinamarquês Jens Gregersen, que na primeira metade do século passado ficou famoso por tatuar, dentre  várias personalidades de seu país, o rei Frederick IX. O coração de Lucky não resistiu a tanta inquietação e saiu de casa ainda menino, em Copenhague, aos 15 anos, para correr o mundo levando a habilidade de tatuar herdada de seu pai. Depois de conhecer 42 países, sempre de navio e sempre tatuando, ancorou em Santos no ano de 1959, para fazer parte definitiva da rica história marginal da Cidade. Aqui, Lucky era um dos “donos” da Boca e conseguiu o respeito das prostitutas, marinheiros, doqueiros, marginais, dos contrabandistas e de todos que procuravam no sonho o tempero da vida.
Lucky inicialmente trabalhou na Rua João Otávio, mudando depois para a General Câmara o seu pequeno e concorrido ateliê. Pinceis e agulhas sempre foram seu  meio de vida: ou estava pintando em telas paisagens e figuras do seu meio ou estava tatuando o corpo de pessoas de todas as procedências possíveis, incluindo aí as melhores famílias santistas. Sua fama se espalhou pelo país e de todos os cantos apareciam aqueles que queriam ter o corpo marcado pelo dinamarquês, caso do surfista carioca José Artur Machado, o Petit, eternizado como “Menino do Rio” na canção composta por Caetano Veloso e interpretada por Baby Consuelo. Aquela canção justamente que fala do “dragão tatuado no braço”.
Foram 20 anos de Santos, até que um dia um marginal desavisado, talvez sem saber que Tattoo era um dos protegidos da Boca, resolveu assaltar o ateliê do artista. Um roubo tão comum para todos atualmente, mas não para Lucky. Ele ficou tão frustrado e revoltado, que simplesmente sumiu de Santos.  Um simples e pequeno bandido fez o que nem milhares de navios que passaram nestes 20 anos de porto conseguiram: afastar Tattoo de Santos. Ele foi para Itanhaém, onde ficou durante cinco anos tatuando e pintando suas telas e, depois de um ano, mudou-se para a cidadezinha de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, onde ainda muito jovem nos seus 55 anos de idade o seu coração parou de bater e suas mãos deixaram de tatuar em outubro de 1983. Lucky teve dois filhos, Erna (Ana) e Frederick Gregersen, que herdaram o dom e formaram a quarta geração de tatuadores da família.
Erna, que adotou o nome brasileiro de Ana, a época com 20 anos e já tatuadora profissional, assumiu a responsabilidade de dar seqüência ao trabalho de seu pai em Santos. Ana conheceu Bira e os dois companheiros decidiram que a tatuagem seria também o seu meio de vida e montaram um ateliê nos fundos do restaurante Energia na Avenida Washington Luiz, 64 e assim tatuaram por muito tempo na cidade de Santos e em diversos endereços. Atualmente os verdadeiros herdeiros do Lucky moram em Suarão, em Itanhaém, muito próximo da cidade de Santos. Knud Luckke Gregersen, o Tattoo Lucky, que morreu, mas deixou não só seus herdeiros, mas muitos discípulos de sua arte assimilada não só pela juventude das praias, mas por pessoas de todas as cidades e faixas etárias que ainda hoje tentam vencer os últimos preconceitos que residem em algumas camadas da sociedade.

1 Comentário

  1. [...] Saiba mais da história de Lucky Tattoo neste link [...]


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